Escola do Conhecimento RSE

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Conhecer é o ato cognitivo de compreender para transformar a si e ao mundo em que se está estabelecendo relações entre os diversos significados de uma mesma ideia + ou fato. O conhecimento, assim, passa a ser uma rede de significados. A apropriação do conhecimento é, portanto, entendida como um processo constante de transformação e atribuição de significados e relações entre eles. Nesse processo, a cada nova interação com objetos do conhecimento, a cada possibilidade de diferentes interpretações – um novo ângulo se abre, um significado se altera, novas relações se estabelecem, outras possibilidades de compreensão são criadas.


Nesse sentido, cabe à escola romper com as teorias lineares que dão sustentação ao modelo tradicional de ensino, caracterizado pela transmissão de informações, pré-requisitos, etapas rígidas e formais de ensino e aprendizagem, cadeias de conteúdo, escalas de avaliação da aprendizagem. Ao entendermos o conhecimento como a meta da escola, consequentemente temos que a apreensão de um conceito, ideia, fato, procedimento se faz por meio das múltiplas relações que o aprendiz estabelece entre os diferentes significados desse mesmo conceito, ideia ou fato. A compreensão do que é aprendido e suas estabilidades como aprendizagem significativa dependem da qualidade e quantidade de relações que são estabelecidas entre as diferentes significações do que se está aprendendo.

Na escola, essa perspectiva implica articular o ensino e a aprendizagem, o conteúdo e a forma de transmiti-lo, proporcionando, cada vez mais, um ambiente escolar favorável à aprendizagem, no qual todas as ações favoreçam o processo múltiplo, complexo e relacional de conhecer e incorporar dados novos ao repertório de significados. Assim, aquele que aprende pode utilizá-los na compreensão dos fenômenos e no entendimento da prática social.

Resumindo, a função da escola está diretamente ligada a ensinar a conhecer, formar para compreender, desenvolver o pensar para que as crianças e jovens saibam lidar com as informações e estabelecer entre elas, sejam qual forem, mas, mais que isso, saibam escolher, decidir, projetar, agir e criar, porque conhecem.

Do projeto pedagógico da RSE, é importante destacar que:

A proposta salesiana – baseada na razão, na religião e no amor educativo, aspectos que estão inter-relacionados tanto nos fins e conteúdos como nos métodos e meios, visando ao desenvolvimento integral da criança e do jovem – apresenta o currículo, levando em conta a cultura herdada da humanidade e as questões modernas do homem e da sociedade. A abordagem do conhecimento deve superar a educação meramente especializada ou acadêmica, entendendo o aluno como ser uno, atendendo-o em suas diferenças. A perspectiva salesiana valoriza as pessoas em seu processo de individualização e socialização, as realidades terrenas, desenvolvendo o sentido crítico, cuidando da preparação para a liberdade, para a vida e o exercício profissional.

Isso implica organização e planejamento da escola e do ensino para que se alcance afetivamente espaço do conhecimento de natureza tanto científica, quanto social e ética. Resultam daí consequências diversas estabelecidas no Projeto Pedagógico da RSE. Algumas delas estão detalhadas nos projetos e outras, de natureza mais didática, merecem análise mais cuidadosa.

O ensino para a aprendizagem

Toda a estrutura do ensino, seu planejamento, as atividades, os recursos e a avaliação exigem reflexão dos educadores e ações coerentes com as metas estabelecidas pelo projeto pedagógico de cada escola.

Uma vez que aprender significa estabelecer relações, é necessário que as atividades propostas estejam relacionadas ao universo de conhecimentos, experiências e vivências do aluno, para que ele possa ir além, ultrapassar o senso comum e posicionar-se. Isso não significa que tudo deva estar diretamente ligado à prática ou à realidade concreta observável, mas sim que permita ao aluno entender a lógica do que lhe é ensinado a partir do que ele sabe.

As atividades e tarefas devem favorecer ao aluno formular problemas e questões que de algum modo o interessem, o envolvam ou que lhe digam respeito. Nesse sentido, ensino e avaliação se aproximam, pois a formulação de novas questões só é possível a partir do que foi compreendido.

A avaliação, entendida como articuladora dos processos de ensinar e aprender, é pensada de tal modo que o aluno possa participar com responsabilidade do processo de aprendizagem, não apenas durante as atividades, mas também ao tomar consciência do que ele já sabe, do que precisa aprender e do que ainda é uma dificuldade para ele.

A percepção da aprendizagem passa pela avaliação, e também pela oportunidade de o aluno transferir o que aprendeu na escola para outras circunstâncias e situações de vida. Ou seja, a aprendizagem deve provocar modificações no comportamento e até mesmo na formação do aluno, de modo a torná-lo capaz de enfrentar situações diversas e elaborar seu projeto de vida pessoal. Para a intervenção crítica na realidade e para o desenvolvimento de uma postura cidadã, é importante a vivência de simulações de situações práticas, experiências de vida com problemas realistas, em contexto conhecidos ou distantes dos alunos.

O processo de aprendizagem que se estrutura da forma como foi colocada até aqui denomina-se aprendizagem significativa. Apesar de parecer óbvio, algo que é aprendido só modifica os valores, as motivações, o sistema conceitual e a própria autoestima daquele que aprende se “fizer sentido” para ele. Ninguém aprende pelo outro.

Quanto mais significativo o conteúdo aprendido, tanto mais rápido será o próprio processo de aprendizagem. Ou seja, é menor o número de repetições necessárias para aprender e mais duradoura é a disponibilidade do conteúdo na rede de significados do aluno.

Fonte: Metodologia – Coleção da RSE