Dia Anec: educador católico deve dar importância ao humanismo no processo educacional, diz o reitor Dom Mol

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O educador católico deve injetar o humanismo em todo o processo educacional, revertendo o processo de desvalorização do ser humano no mundo atual, no qual milhões de pessoas são consideradas descartáveis. O valor do ser humano é inegociável, defendeu o reitor da PUC Minas e bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, professor Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, durante a abertura do Dia Anec, que acontece durante este sábado, 7 de março, no Teatro João Paulo II (prédio 30), do Campus Coração Eucarístico da PUC Minas. O Dia Anec, com a temática Educação e Inovação, é uma realização da Associação de Educação Católica.

Sobre a temática central do evento, o professor Dom Joaquim Mol, que foi presidente do Conselho Superior da Anec, disse que envolve situações desafiadoras, como a incorporação da tecnologia à educação, mas que, de acordo com o Papa Francisco, o grande desafio da educação é a humanização. Disse que é necessário fazer leituras da inovação sob o ângulo do humanismo, "iluminar a educação com a qualidade de educadores com a educação humanizante", pontuou. "Não queremos que as pessoas sejam dominadas pelo aplicativos e sim o contrário", que o ser humano domine com altivez, aconselhou. "Queremos pessoas livres e libertárias em suas práticas de vida".

 Por meio de vídeo exibido durante o evento, o grão-chanceler da PUC Minas e arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, que também é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que os avanços tecnológicos não são acompanhados pelo desenvolvimento da civilização, embora a humanidade tenha instrumentos para corrigir esses descompassos, que afligem principalmente os mais pobres. De acordo com Dom Walmor, os desafios são urgentes e devem ser vencidos com os profissionais educadores, por meio do protagonismo da educação católica, que deve desenvolver um novo humanismo integral. O grão-chanceler enfatizou que há de se promover uma grande mudança, através das bases sólidas da educação católica e promover a inovação com os desafios da contemporaneidade.

 Dom Mol ressaltou o papel do educador católico de trabalhar com a humanidade, em linha muito próxima com o Papa Francisco. Disse que é uma alegria receber os educadores católicos na PUC Minas, para troca de experiências, somar uns com os outros força e empenho, "já que onde há educação há esperança, gente teimosa". O reitor disse que o Dia Anec converge-se com a Acolhida aos Calouros, que está sendo realizada também neste sábado pela Secretaria de Comunicação e Pró-reitoria de Graduação em vários espaços da Universidade, incluindo o CES – Centro de Espiritualidade Jesus Pão da Vida.

 "As luzes do Senhor não são artificiais, são capazes de iluminar o que estão no interior, não somente dentro do corpo, elas iluminam esperança, fé, servir, bem-querer", disse Dom Joaquim Mol dirigindo-se aos educadores e referindo-se à importância de se pedir as luzes do Senhor para que se seja iluminado. "É bonita, nobre e grande tarefa de educar na contemporaneidade. Que as luzes em todos vocês fiquem acesas", desejou.

 O evento Dia Anec teve a presença também do diretor da Câmara de Ensino Superior da Anec, padre Maurício da Silva Ferreira; do professor Eugenio Batista Leite, conselheiro regional da Anec em Minas Gerais e pró-reitor adjunto do Campus Betim; e da professora Amália, também da Anec-MG. A professora disse que mais de 460 educadores católicos estavam presentes ao evento, tendo havido outros 200 deles que gostariam de participar. De acordo com ela, o único estado do Brasil, por meio da PUC Minas, a disponibilizar uma secretaria que auxilia os trabalhos da Anec, secretaria localizada no prédio 4, dentro do Instituto de Filosofia e Teologia Dom João Resende Costa.

 O padre Maurício ressaltou que a Anec Minas Gerais promove um encontro muito importante, com participação maciça dos educadores. De acordo com ele, Minas Gerais tem aspecto peculiar e responsabilidade muito grande, lugar onde a cultura católica se desenvolveu de forma muito grande, com a dedicação de homens e mulheres para o aspecto colaborativo. Ao citar vídeo produzido pela PUC Minas sobre o Pacto Educativo Global (encontro na Itália que foi transferido de 14 de maio para 11 a 18 outubro), o padre Maurício disse que o Papa Francisco faz um convite aos educadores para que tenham três coragens: de colocar a pessoa ao centro, já que a educação diz respeito ao interior que é iluminado por Deus; valorizar o que cada um faz, animando a liderança, que é essa pessoa que está ao centro; colocar-se ao serviço e as instituições abertas à sociedade. "Educação é lugar de esperança, que não é vaga, se desenvolve na vida e na inteligência de cada um", finalizou.

 

Importância didática

 

O professor universitário Paulo Tomazinho, pesquisador em estratégias didáticas assimétricas, defendeu que o educador católico deve concentrar a maior parte de sua aula aos alunos no que o docente mais tem consolidado, mas que isso não impede de experimentar, inovar criar estratégias em 10% do tempo do início ou do final de uma aula. De acordo com ele, esse ganho será maior do que o outro tempo gasto com o que mais domina. Valendo-se da neurociência e do conceito de ilusão de fluência, o professor defendeu que o ganho de aprendizado melhora muito quando a mente funciona.

 Dirigindo-se aos educadores católicos presentes, Paulo Tomazinho disse que o professor deve sempre começar a lecionar conhecendo minimamente seus alunos, compreendendo a diversidade ali presente. "É na educação infantil e no fundamental que são criadas as bases, as estruturas mentais", disse sobre a importância didática, à qual estão relacionados o ensino e a aprendizagem; à estratégia, que é uma técnica; e à assimetria, relacionada à teoria de antifragilidade, da área financeira, no qual o mais importante é o investimento de pequena parte em alto risco, cuja perda, se houver, seria compensada com o ganho no baixo risco.

Citando o livro Como a Mente Funciona, de Steven Pinkers, Paulo Tomazinho lembrou que a mente humana é uma grande máquina que faz associações todo o tempo. De acordo com ele, os professores precisam entender como a mente funciona para que o aluno possa aprender mais. "Nas escolas não se ensina o funcionamento das mentes", lamentou. "É importante se aprender o funcionamento das mentes para se aprender e poder ensinar". Estando os estudantes em um estado emocional positivo, o filtro emocional dos estudantes, relaxados, é aberto, e, do contrário, alunos estressados, com privação de sono, desmotivados e cansados, o filtro emocional deles se fecha. Paulo Tomazinho chamou a atenção dos pais em geral para um problema cada vez mais sério e frequente: o de estudantes que chegam à escola privados do sono, porque os pais lhes permitiram permanecer nos celulares e jogos eletrônicos até tarde da noite. Desse modo, o estudante não esvaziou para o outro dia sua memória de trabalho, ficando, assim, estressado, desmotivado e cansado.

 

Assessoria de Imprensa PUC Minas